Documentário Yoga: Aligning to the Source explora a origem milenar e a evolução filosófica do yoga, desde os seus fundamentos mitológicos na Índia até à sua popularização global contemporânea.

Este curto documentário Yoga: Aligning to the Source descreve o yoga como uma disciplina de autoconhecimento que procura harmonizar o corpo e a mente através da união entre a consciência individual e a energia universal. São detalhados conceitos fundamentais como os oito ramos de Patanjali e os diferentes caminhos da prática, incluindo o Hatha e o Raja Yoga.
A obra destaca a transição da modalidade de uma prática ascética isolada para uma ferramenta de saúde holística reconhecida pela ciência moderna. Atualmente, o yoga é apresentado como um método eficaz para mitigar o stress e alcançar o equilíbrio interior num mundo em constante conflito. Em suma, as fontes celebram a prática como um património universal que transcende religiões e fronteiras geográficas.
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Documentário Yoga: Aligning to the Source
Quais são as origens mitológicas e históricas do yoga?
As origens do yoga encontram-se envoltas em mistério, combinando narrativas mitológicas profundas com evidências históricas que remontam a milénios atrás.
Origens Mitológicas
De acordo com a tradição, o yoga surge da interação entre Purusha (puro potencial ou consciência) e Prakriti (energia ou natureza). Quando Purusha se tornou Pashupati (o Senhor das Feras), sentiu compaixão pelo sofrimento de todas as criaturas e ensinou-lhes a arte do yoga. O primeiro a ouvir estes ensinamentos foi a serpente Patanjali, que é frequentemente visualizado como um ser serpentino por se sentar ao lado de Shiva e ter captado cada sussurro e respiração do ensinamento.
Outra narrativa mitológica central descreve Shiva a ensinar os segredos do yoga à sua consorte, Parvati, no Monte Kailash. Durante este momento, um peixe que passava ouviu a revelação. Shiva, ao perceber a presença do peixe, nomeou-o Matsyendranath e enviou-o para partilhar o yoga com o mundo, marcando assim o nascimento do Hatha Yoga.
Origens e Evolução Histórica
Historicamente, as raízes do yoga podem ser traçadas através de vários marcos cronológicos:
Expansão Moderna (Séculos XIX e XX): No final do século XIX, Swami Vivekananda introduziu o Raja Yoga no Ocidente. No século XX, figuras como o Maharaja de Mysore e o seu aluno B.K.S. Iyengar foram cruciais para a popularização global do yoga, com Iyengar a publicar a obra Light on Yoga em 1966.
Civilização do Vale do Indo (c. 2500 a.C.): Foram encontrados selos desta época que mostram figuras em posturas yoguicas, como a bhadrasana (posição do trono), sugerindo que práticas de controlo mental e físico já existiam.
Escrituras Védicas (Século V a.C.): O yoga começou a aparecer formalmente nas escrituras védicas, tornando-se uma prática conhecida. O termo deriva da raiz sânscrita yuja, que significa ligar, alinhar ou unir.
Codificação de Patanjali (Século II a.C.): O yoga evoluiu para uma filosofia independente e foi codificado nos Yoga Sutras de Patanjali. Esta obra prescreveu o sistema de Ashtanga, ou o caminho de oito passos, com o objetivo de aquietar a mente e unir a consciência humana ao seu estado original.
Integração Religiosa e o Bhagavad Gita: No início do primeiro milénio, o yoga integrou-se no budismo, jainismo e no que viria a ser o hinduísmo. O Bhagavad Gita descreveu quatro caminhos principais: Gyan Yoga (conhecimento), Bhakti Yoga (devoção), Karma Yoga (ação) e Raja Yoga (o caminho real).
Desenvolvimento do Hatha Yoga (Séculos XII a XV): No século XII, um grupo monástico chamado Nath codificou o Hatha Yoga como uma metodologia de treino. Mais tarde, no século XV, o livro Hatha Yoga Pradipika detalhou as posturas físicas (asanas) para estabilizar a mente e atingir estados elevados de consciência.
Quais são os oito passos do sistema Ashtanga de Patanjali?
Patanjali prescreveu o sistema Ashtanga, conhecido como o caminho de oito passos, com o objetivo de alinhar as cinco camadas (koshas) do ser humano. Este sistema divide-se em duas partes: os primeiros cinco passos focam-se na disciplina e na ação, enquanto os últimos três são considerados internos (antarangas), sendo o resultado da prática anterior.
Os oito passos são:
- Yama: Refere-se à forma como nos comportamos internamente, à nossa conduta e à maneira como experienciamos o mundo.
- Niyama: São as regras ou disciplinas para a vida física, focando-se no comportamento em relação a si próprio e ao mundo que nos rodeia.
- Asana: É a ligação com o próprio corpo físico. O seu propósito principal é preparar o corpo para o passo seguinte, o pranayama.
- Pranayama: Consiste em práticas respiratórias que permitem que o prana (força vital) circule totalmente e aceda a diferentes partes do corpo.
- Pratyahara: Significa a retirada dos sentidos ou contenção. O objetivo é alcançar o equilíbrio, não se apegando nem se desligando excessivamente do mundo, mas evitando identificações desnecessárias.
- Dharana: Representa a capacidade de focar a mente.
- Dhyana: Refere-se à capacidade de meditar sobre algo de forma profunda.
- Samadhi: É o estado de união com o verdadeiro eu e com a consciência pura.
O sistema Ashtanga é, portanto, tanto a prática como o objetivo final do yoga, procurando acalmar a mente para unir a consciência humana ao seu estado original.
Como a prática do yoga está ligado à saúde?
A prática do yoga é amplamente reconhecida como uma das abordagens de saúde holística mais eficazes, centrando-se na união entre o corpo e a mente para alcançar um estado de equilíbrio e harmonia.
A sua ligação com a saúde manifesta-se em diversas áreas:
- Benefícios Físicos e Fisiológicos: O yoga exerce um efeito profundo no corpo humano, com poderes curativos documentados há mais de 2.000 anos. A prática atua diretamente nas articulações e no sistema endócrino, auxiliando o funcionamento correto das glândulas. Além disso, através das asanas (posturas) e do pranayama (respiração), permite-se que o prana (energia vital) circule livremente e aceda a todas as partes do organismo.
- Saúde Cerebral e Mental: Estudos científicos modernos, utilizando ressonância magnética, confirmam que certas áreas do cérebro apresentam melhorias significativas com a prática de yoga. Práticas específicas, como o cântico de sons como o “Om”, geram atividade elétrica que provoca um efeito calmante no sistema nervoso.
- Ciência Psicossomática: O yoga é descrito como uma ciência psicossomática que entende que o corpo (soma) e a mente (psyche) são inseparáveis. Ao fortalecer o sistema nervoso, o yoga promove o pensamento positivo e a estabilidade mental.
- Gestão do Stresse e Doenças Crónicas: Atualmente, o yoga é uma prática complementar validada pela medicina tradicional, sendo frequentemente recomendado para a reabilitação e gestão do stresse. É particularmente útil no tratamento de doenças de estilo de vida, para as quais a medicina convencional muitas vezes não oferece uma cura definitiva, ajudando o paciente a sentir-se mais calmo e equilibrado.
- Equilíbrio Sistémico: Através do sistema de oito passos de Patanjali, o yoga procura alinhar as cinco camadas (koshas) do ser humano, garantindo que o corpo físico, a energia, a mente e o intelecto funcionem em uníssono.
Em suma, o yoga funciona como uma ferramenta de autorregulação, onde o corpo, a respiração e a mente dialogam para reduzir a agressividade mental e promover uma sensação de bem-estar profundo.
